sábado, 20 de setembro de 2008

v.r.s.n.s.m.v s.m.q.l.i.v.b

tem dias em que a única coisa que me consola é saber que a vida é implacável e vem cobrar dos sacanas a sacanagem feita aos outros. vontade de mandar al carajo (quase) tudo e (quase) todos .
-----------------
e bem no meio de uma semana de mierda, de MUITAS chateações no trabalho, uma infecção respiratória bizarra e resistente, uma dor muscular pungente (reflexo de meu compulsório retorno à musculação - desta vez devidamente vigiada por uma personal), uma unha quebrada no tronco, e uma saudade lascada do meu lilil, saramago e mark ruffalo vieram em meu auxílio. um tanto quanto chocante, porém imperdível, a versão de fernando meirelles para ensaio sobre a cegueira (blindness). a propósito, vejam a reação de saramago ao assistir o filme pela primeira vez.

sábado, 13 de setembro de 2008

dos limões, uma limonada

mais um belíssimo filme fora do circuito blockbuster.
lemon tree propõe uma leitura poética da disputa de terras entre palestinos e israelenses e é de uma sutileza incrível. os limoeiros são apenas metáforas das coisas simples, e mais essenciais, que nos aproximam e nos individualizam. a natureza humana não reconhece rótulos culturais, ideológicos e religiosos. dos limões podemos fazer uma guerra ou uma doce limonada.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

saudade

meu coração foi morar nos estados unidos.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

minha são paulo

está decidido. quando eu ficar velha, compro um apartamento charmoso nos jardins e vou morar em são paulo. sem precisar pegar a marginal para ir trabalhar, restrinjo minha vida ao quadrilátero formado entre a paulista, a estados unidos, a rebouças e a brigadeiro luís antônio. ali, deslocando-me sempre a pé, farei como as mulheres maduras que observei desta vez: resolverei minhas coisas práticas; verei todos os filmes de arte em cartaz na reserva cultural, no conjunto nacional e no espaço unibanco da augusta; tomarei cafezinhos solitários na starbucks da alameda santos, no havanna da bela cintra, no frans café da haddock lobo ou na ofner da campinas; gastarei largas fatias de minha merecida aposentadoria na livraria cultura e na fnac; almoçarei nos finais de semanas com meus poucos amigos no viena ou comerei com eles uma pizza na veridiana da josé maria lisboa nas noites de quinta-feira. visitarei com freqüência o masp, para conferir as exposições temporárias ou ficar alguns minutos diante do rosa e azul de renoir na galeria permanente, lembrando com saudades de minha infância na oliveira viana, onde tínhamos uma réplica na parede. irei regularmente ao teatro, especialmente aos dramas e às comédias, porque ainda serei uma mulher de extremos. e ainda me encantarei com o trianon - aquele monte de verde rodeado de cinza por todos os lados, inclusive o de cima.
----------------------
foto: vista terraço itália

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

sampa

amanhã tô lá. justo quando eu já quase sufocava aqui.
volto domingo, mas é tempo suficiente para pegar fôlego até o final do ano.
não vejo a hora de ir para longe. bem longe.

sábado, 16 de agosto de 2008

insensatez

ah, insensatez que você fez
coração mais sem cuidado
fez chorar de dor o seu amor
um amor tão delicado
ah, por que você foi fraco assim
assim tão desalmado?...
[vinícius de moraes e tom jobim]
-----------------------
porque a mônica salmaso cantando insensatez é o que há
e desta vez me tocou profundamente.
e porque (re)assistir quem pagará o enterro e as flores se eu morrer de amores? esparramada no sofá da sala, tomando um cabernet sauvignon chileno numa taça apropriada,
pode ser o melhor programa de feriado ever.
um brinde ao delicado da vida!

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

ní hao!

esta biroska foi recentemente linkada num blog bem interessante chamado crônicas urbanas. e eis que numa breve passagem por lá me deparei com um texto - pra lá de oportuno - de luís fernando veríssimo, intitulado pense na china, que transcrevo abaixo.
---------------
Sugestão para um dia em que você não tiver nada com o que se preocupar e estiver até convencido que o mundo pode melhorar, deve melhorar, tem que melhorar. Finja que é agora. Simule otimismo. Imite alguém acreditando no futuro com toda a força. Faça cara de quem não tem dúvidas de que tudo vai dar certo. Convença-se de que tudo vai dar certo. Pronto? Agora pense na China.
Desanimou, certo? É impossível pensar na China e continuar, mesmo em fingimento, despreocupado. Dentro de muito pouco tempo vai acontecer o seguinte: a China vai tornar o resto do mundo supérfluo. Não vai ser preciso existir mais ninguém, de tanto que vai existir a China. O nosso destino é, enquanto a China cresce, irmos ficando cada vez mais desnecessários. Em, o quê? Vinte anos? A China terá o maior parque industrial, com a mão-de-obra mais abundante e portanto mais barata, da Terra, e produzirá de tudo para o maior mercado consumidor da Terra que será qual? O dos chineses, mesmo ganhando pouco. A China concentrará toda a atividade econômica do planeta entre as suas fronteiras. A China se bastará.
Mas não pense que vamos ficar assistindo ao espetáculo da auto-suficiência chinesa da cerca, esperando alguma sobra. Antes de se tornar definitivamente autocapaz a China terá que garantir as fontes da sua energia. O seu inevitável choque com aquele outro sorvedouro de combustível fóssil, os Estados Unidos, pelas últimas reservas de petróleo do mundo pode literalmente nos arrasar. Sugestão para a reflexão antes de dormir esta noite, se você conseguir dormir: o petróleo do Oriente Médio escasseando, dois monstros sedentos cuja sobrevivência depende do petróleo se enfrentando — e nós no meio. Ganhará o confronto final, nuclear ou não, quem tiver mais gente. A China tem muito mais gente do que os Estados Unidos.
Enquanto isto, a Índia… Mas chega. Reanime-se. A vida é boa, há borboletas, os pêssegos estão ótimos e a Copa vem aí. Eu, na verdade, não tenho com o que me preocupar mesmo. Estou a caminho da fase pré-fóssil e não estarei aqui quando tudo isto acontecer. Mas só queria avisar.
[Luís Fernando Veríssimo]
----------------------------
bem de acordo com as minhas predições niilistas sobre o futuro da humanidade... o que eu penso quando penso na china? que a abertura dos jogos olímpicos de beijing foi uma excelente e perspicaz oportunidade de apresentar (ou relembrar) ao mundo a magnitude e grandiosidade chinesa. lindo demais, original demais, e um tanto amedrontador.

domingo, 3 de agosto de 2008

"ouve-me, ouve o meu silêncio. o que falo nunca é o que falo e sim outra coisa..."
[clarisse l.]

segunda-feira, 14 de julho de 2008

liberté, égalité, fraternité!!!

VIVA A REVOLUÇÃO FRANCESA!
[e viva eu neste 14 de julho!]

quarta-feira, 9 de julho de 2008

a vida continua...

todo o operacional após a morte de alguém é muito cruel. fazer parte deste processo tem me matado um tantinho também. e eu me pergunto: para quantas pessoas neste mundo somos verdadeiramente insubstituíveis?
--------------
- agora a gente já pode fazer as reservas dos hotéis de praga, londres e lisboa.
- pois é. e é bom a gente ligar para a joinha para saber se vamos ter de cancelar aquela primeira diária em paris.
----------------
às vezes a vida nos permite uns diálogos bem improváveis.

domingo, 6 de julho de 2008

carpe diem

cruzamo-nos pela última vez na escadaria de acesso restrito onde habitualmente professores e funcionários se encontram ao percorrerem, invariavelmente apressados, sentidos opostos. era quarta(talvez quinta)-feira desta semana. já nem me lembro se era eu quem subia ou descia naquela oportunidade. lembro-me apenas de havermos trocado, como de costume, rápidas palavras cordiais de saudação e despedida, e de sentir-me levemente constrangida com a minha incurável mania de encurtar, em tom de intimidade, o nome de pessoas pelas quais nutro tímido, mas real, apreço. se eu soubesse que não mais o veria com vida, certamente teria lhe dado um abraço e falado do prazer que tinha sido encontrá-lo, como colega de ofício, nesta fugaz existência.
uma semana antes tínhamos tido a oportunidade de conversar com um pouco mais de calma, sentados que estávamos na coordenação, onde ele tinha ido verificar os horários do semestre que vem – semestre que, a despeito de todo o planejamento, ele não mais lecionará. na ocasião, lembro-me de havê-lo indagado o porquê de tanta pressa, de tanta atividade simultânea, sem entender exatamente como ele conseguia tempo para coordenar um curso de direito numa faculdade e dar aulas em duas outras, com o agravante de localizar-se uma delas fora da capital. em resposta ele me disse, com a ansiedade comum a todos aqueles que instintivamente pressentem o pouco tempo de que dispõem neste plano, que eu esquecia ainda da militância como advogado, do envolvimento freqüente em atividades da oab e do rotary, da esposa e do pequeno arthur, e da paixão pelo pára-quedismo, herança familiar do avô militar. lembro-me de havê-lo ligeiramente repreendido, destacando o perigo desnecessário dessa prática esportiva.
ontem ele foi a primeira pessoa que me veio à cabeça ao acordar. como coordenadora, sentia-me responsável por adverti-lo a respeito do cancelamento da disciplina de férias que ele daria na faculdade a partir de amanhã. a cancelamos por não contarmos, até o final do dia da última quinta-feira, com o número mínimo de alunos matriculados que justificasse o fechamento da turma. sabendo que ele estava em são paulo, e imaginando que talvez ele tivesse programado retornar no domingo apenas em função do início das aulas, quis oportunizar uma extensão da viagem, se ele assim entendesse conveniente. minha primeira providência do dia, portanto, foi enviar-lhe um e-mail avisando – e-mail que, a julgar pela ausência de resposta, ele jamais chegaria a ler. mal sabia eu, então, que caberia a mim, como última providência daquele mesmo sábado, enviar outro e-mail, desta vez para a larga lista de nossos docentes, comunicando a triste notícia de seu falecimento prematuro.
dona morte anda solta neste bissexto estranho e parece-me bastante prudente que a tratemos com toda a deferência. desafiá-la com saltos de pára-quedas e outras imprudências é de todo desaconselhável. dona vida, de sua parte, mostrou-se uma vez mais impermanente e imprevisível, e deixou-nos a todos consternados e a mim, em especial, (over)pensativa.
episódios como esse nos lembram, inevitavelmente, de nossa própria mortalidade. nos fazem repensar a vida e a maneira como a estamos conduzindo. deveria-nos mudar radicalmente o foco, as prioridades, o timing. mas não mudam mais do que por alguns poucos dias, o que eu avalio como uma tosca característica de nossa imperfeita humanidade. enquanto o sentimento está bem fresco, escrevo para eternizar minha impotência absoluta diante do imponderável, minha incalculável tristeza íntima de lembrar que cada dia desta vida é mais um dia a menos que um dia a mais. escrevo também, queridos, para pedir-lhes, como vinícius, que tomem vento, que tomem tento, que vivam o hoje, que amem em tempo integral, que se cuidem muito, que peçam proteção divina e que não se esqueçam que "esta vida é uma estranha hospedaria, de onde se parte quase sempre às tontas, pois nunca as nossas malas estão prontas, e a nossa conta nunca está em dia."

quarta-feira, 2 de julho de 2008

il y a toujours quelque chose d´absent qui me tourmente

paris — toda vez que chego a paris tenho um ritual particular. depois de dormir algumas horas, dou uma espanada no rodenirterceiromundista e vou até notre-dame. acendo vela, rezo, fico olhando a catedral imensa no coração do ocidente. sempre penso em joana d’arc, heroína dos meus remotos 12 anos; no caminho de santiago de compostela, do qual notre-dame é o ponto de partida — e em minha mãe, professora de história que, entre tantas coisas mais, me ensinou essa paixão pelo mundo e pelo tempo. sempre acontecem coisas quando vou a notre-dame. certa vez, encontrei um conhecido de porto alegre que não via pelo menos há 20 anos. outra, chegando de uma temporada penosa numa londres congelada e aterrorizada por bombas do IRA, na época da guerra do golfo, tropecei numa greve de fome de curdos no jardim em frente. na mais bonita dessas vezes, eu estava tristíssimo. há meses não havia sol, ninguém mandava notícias de lugar algum, o dinheiro estava no fim, pessoas que eu considerava amigas tinham sido cruéis e desonestas. pior que tudo, rondava um sentimento de desorientação. aquela liberdade e falta de laços tão totais que tornam-se horríveis, e você pode então ir tanto para botucatu quanto para java, budapeste ou maputo — nada interessa. viajante sofre muito: é o preço que se paga por querer ver “como um danado”, feito Pessoa. eu sentia profunda falta de alguma coisa que não sabia o que era. sabia só que doía, doía. sem remédio. enrolado num capotão da segunda guerra, naquela tarde em notre-dame rezei, acendi vela, pensei coisas do passado, da fantasia e memória, depois saí a caminhar. parei numa vitrina cheia de obras do conde saint-germain, me perdi pelos bulevares da ile de la cité. então sentei num banco do quai de bourbon, de costas para o sena, acendi um cigarro e olhei para a casa em frente, no outro lado da rua. na fachada estragada pelo tempo lia-se numa placa: “iI y a toujours quelque chose d’absent qui me tourmente” (existe sempre alguma coisa ausente que me atormenta) — frase de uma carta escrita por camille claudel a rodín, em 1886. daquela casa, dizia a placa, camille saíra direto para o hospício, onde permaneceu até a morte. perdida de amor, de talento e de loucura. fazia frio, garoava fino sobre o sena, daquelas garoas tão finas que mal chegam a molhar um cigarro. copiei a frase numa agenda. e seja lá o que possa significar “ficar bem” dentro desse desconforto inseparável da condição, naquele momento justo e breve — fiquei bem. tomei um calvados, entrei numa galeria para ver os desenhos de egon schiele enquanto a frase de camille assentava aos poucos na cabeça. que algo sempre nos falta — o que chamamos de Deus, o que chamamos de amor, saúde, dinheiro, esperança ou paz. sentir sede, faz parte. e atormenta. como a vida é tecelã imprevisível, e ponto dado aqui vezenquando só vai ser arrematado lá na frente, três anos depois fui parar em saint-nazaire, cidadezinha no estuário do rio loire, fronteira sul da bretanha. lá, escrevi uma novela chamada bem longe de marienbad, homenagem mais à canção de barbara que ao filme de resnais. uma tarde saí a caminhar procurando na mente uma epígrafe para o texto. por “acaso”, fui dar na frente de um centro cultural chamado (oh!) camille claudel. lembrei da agenda antiga, fui remexer papéis. e lá estava aquela frase que eu nem lembrava mais e era, sim, a epígrafe e síntese (quem sabe epitáfio, um dia) não só daquele texto, mas de todos os outros que escrevi até hoje. e do que não escrevi, mas vivi e vivo e viverei. pego o metrô, vou conferir. continua lá, a placa na fachada da casa número 1 do quai de bourbon, no mesmo lugar. quando um dia você vier a paris, procure. e se não vier, para seu próprio bem guarde este recado: alguma coisa sempre faz falta. guarde sem dor, embora doa, e em segredo.
[caio fernando abreu]
---------------------
porque poucas coisas são melhores do que ir a paris. voltar a paris certamente é uma delas.

sábado, 28 de junho de 2008

metáfora das ampulhetas

eu? seguindo na minha lida ininterrupta, no meu afã continuado, na minha perseverante tentativa de fazer as pazes com o tempo. pretendendo deixar o passado no passado e o futuro no futuro. permitindo que cada grão de areia passe, sozinho, um de cada vez, pelo estreito canal da ampulheta da vida chamado presente. vivendo a vida em pequenas doses diárias, de amor, paz, paixão, tristeza, alegria, tensão, dor, expectativa, realização, sofrimento, saudade, desejo, conforto, cansaço, agitação e tédio... e (over)pensando se o tempo realmente passa, ou somos nós que passamos por ele(?).

domingo, 22 de junho de 2008

e o vento levou

muitos anos depois eu choraria emocionada
na segunda fila de uma igreja,
desejando que ele fosse tão feliz quanto fomos na infância.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

conselho de quintana

não te abras com teu amigo
que ele um outro amigo tem
e o amigo do teu amigo
possui amigos também...
---------------------------
[às vezes eu me sinto uma caixa de segredos alheios.]