domingo, 7 de dezembro de 2008

a quem interessar possa (ou não)

*a vida é generosa. tira com uma mão e dá com a outra. não que haja compensação possível para certas coisas, mas sou resignada e estou certa de que o que não me mata, me fortalece.
*voltei ao trabalho na quinta e estou sozinha na coordenação mas acho - eu disse acho! - que sobrevivo até o dia 17.
*contagem regressiva para o dia 22 e minhas merecidas férias, bem longe daqui.
*até lá, milhões de coisas para fazer entre trabalho, médico, exames, presentes, lavanderia, malas, correções de provas, defesas de monografias, festival de dança da nic, almoços, jantares e despedidas.
*enquanto isso, livros que se acumulam na minha cabeceira: a terceira xícara de chá (greg mortenson & david oliver relin - a terminar), a sombra do vento (carlos ruiz zafón), o jogo do anjo (carlos ruiz zafón), a cidade do sol (khaled hosseini) e a menina que roubava livros (markus zusak).
*filme bonitinho o que eu vi ontem no dragão do mar: eu, meu irmão e nossa namorada - título em português para o original dan in real life. despretensioso, mas fofo. e recheado das ironias da vida.
*a propósito, imperdível o novo do woody allen - vichy cristina barcelona - visto alguns dias atrás. penélope cruz, lindaaaaaaaaa, botando a scarlett johansson no chinelo. sim, as filmagens foram feitas na minha terra (barcelona e oviedo) e a trilha flamenca naturalmente tem um significado enorme para mim.
*a árvore de natal da praça portugal montada. bonita que só. toda de labirinto - um trabalho artesanal típico do ceará. estou tentando conseguir uma foto, para dividir com vocês, como fiz ano passado.
*as árvores do aldeota mall cheias de luzinhas. dá gosto voltar do trabalho pela desembargador moreira.
*terça eu tenho um encontro importante comigo mesma. se eu achar conveniente, conto para vocês depois.
*sorte do dia do orkut: sorria. isso basta.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

olha as coisas melhorando

queridos, estou melhorzinha. voltei para casa e a encontrei cheia de borboletas, estrelas, balões, flores e cheirinhos (tudo com um significado implícito!). coisa da minha mãe, que pegou a minha chave e foi lá, escondidinha, me fazer mais este mimo.
ah, queridos, eu preciso dizer que tenho os melhores pais do mundo: meu pai é a minha base, a minha segurança, e minha mãe é pura luz, leveza e transcendência. ficar mais perto deles sempre me ajuda a me curar mais rápido das pauladas desta vida.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

absoLUTO!

queridos, estou aqui, quietinha ainda, ferida, com o celular desligado, refugiada na minha carapaça de caranguejo, ainda na casa dos meus pais, sob os cuidados e amor intensivos dos meus. falta-me, literalmente, um pedaço. perdi meu bebê às onze semanas de gestação e parte do coração. tenho tentado ser forte. enfrentei com coragem o invasivo procedimento hospitalar da última terça-feira. choro pouco, e em silêncio. parece que a anestesia anestesiou-me a alma. não há proporção entre o que choro e o que sinto. vez por outra escorre-me uma lágrima (fora de contexto) de um dos olhos. estou certa de que um dia (que pode ser amanhã ou daqui a vinte anos), em algum lugar (talvez o chão do meu banheiro ou diante do grand canyon), chorarei todas as lágrimas não vertidas estes dias. hoje, uma semana depois, me sinto um tantinho melhor. devo agradecer – e por isto, em grande parte, estou aqui – às mensagens, aos e-mails, aos scraps, aos buddypokes, às tentativas frustradas de falar comigo (devidamente registradas pela oi), às visitas no hospital, às boas vibrações e ao amor enviados por telepatia ou outra espécie de sintonia espiritual ainda não rastreada pela ciência, às nhás bentas, às substituições no trabalho... muito obrigada, mesmo. quinta-feira acaba minha licença médica e devo retomar minhas atividades normais, o que certamente me ajudará a tocar a vida para a frente, como deve ser. pouco depois virão as férias e o providencial fim deste bissexto tão emocionalmente complexo para mim. vou viajar. sair daqui um pouco me fará um bem danado, eu sei - sempre faz. só não sei ainda para onde. os últimos acontecimentos zoaram toda a programação, que originalmente incluía praga, paris e londres. foi um tal de "vai", "não vai mais", "vai de novo não sei mais para onde" que não estranharei se acabar decidindo na véspera. tenho pensado em portugal. as passagens da tap estão compradas e temos um apartamento (vazio e muitíssimo bem localizado) para ficar em lisboa. perderíamos o trecho até praga e a passagem de trem entre paris e londres, mas em compensação não gastaríamos os milhões de euros não programados antes da crise financeira mundial e manteríamos o projeto "europa com sérias restrições orçamentárias". no mais, seria uma viagem absolutamente sem stress, como pede o meu momento. friozinho suportável, correria zero, muita calma para fazer tudo, retornar a cascais, ao estoril, ir a sintra, talvez ao porto, ou rumar para o sudeste, atravessar a fronteira para a minha terra e passar uns diazinhos em sevilla... dar um olé em 2008 e entrar 2009 bem longe daqui. outra possibilidade, menos pretensiosa, é cumprir o já tradicional ritual paulistano de natal. por hora, nada sei. pode ser uma coisa, outra, as duas, ou nenhuma das duas - o que, confesso, me irritaria profundamente num outro momento, mas não agora. os últimos acontecimentos me lembraram a impermanência da vida e a inutilidade dos grandes planejamentos. à medida que as coisas forem se redesenhando, vou contando a vocês, tá bem assim?
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beijos especiais para aqueles que com palavras e/ou atos me ajudaram a sobreviver à esta semana: dr. olimar, dr. marcelo, mônica, clara-lu, carol troço, claudinha mãe-do-troço, carol prima, nana, pri, manu, gê, olive, ju, juju, otávio, camis, vanis, abniza, chelzinha, nic, saulito, mari, déa, tuca, vicente, san, toti, kika, dona vera, seu luís, tia lulu, tio odar, davi, dani, vovós, tio régis, tio rogério, tio fernando, cecis, alê, nídia, socorro, eliana, sand, sam, henry, nininha, lilil, chrys, sharon, zezê, fê, papi e momi.
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recado especial para clara-lu: o importante é tomar nossos rinocerontes por camundongos e não perder o bom-humor jamás. e eu prometo voltar a sorrir como o gato da alice. pode demorar um pouquinho, mas prometo.

domingo, 2 de novembro de 2008

obama for america, obama for the world!

ando nervosa com as eleições desta semana. sou descrente dos americanos. os acho incapazes de eleger um democrata negro anti-imperialista de sobrenome hussein. queira deus que eu esteja errada, queira deus.
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tento voltar esta semana para falar de mim. há um bocado para falar sobre mim depois de brasília.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

sob o céu de brasília...

... estarei da metade de hoje a quarta.
vou a trabalho. conto mais na volta.

domingo, 5 de outubro de 2008

cada um no seu quadrado

porque eu queria que já fosse dezembro.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

terça-feira, 30 de setembro de 2008

vou-me embora para o oriente

e vejam só o que ganhei hoje!
[porque, no meio de todo o desencanto, há de haver alguma coisa bela que subitamente apareça,
que nos faça lembrar que a humanidade não está completamente perdida, e que viver ainda vale a pena.]

sábado, 20 de setembro de 2008

v.r.s.n.s.m.v s.m.q.l.i.v.b

tem dias em que a única coisa que me consola é saber que a vida é implacável e vem cobrar dos sacanas a sacanagem feita aos outros. vontade de mandar al carajo (quase) tudo e (quase) todos .
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e bem no meio de uma semana de mierda, de MUITAS chateações no trabalho, uma infecção respiratória bizarra e resistente, uma dor muscular pungente (reflexo de meu compulsório retorno à musculação - desta vez devidamente vigiada por uma personal), uma unha quebrada no tronco, e uma saudade lascada do meu lilil, saramago e mark ruffalo vieram em meu auxílio. um tanto quanto chocante, porém imperdível, a versão de fernando meirelles para ensaio sobre a cegueira (blindness). a propósito, vejam a reação de saramago ao assistir o filme pela primeira vez.

sábado, 13 de setembro de 2008

dos limões, uma limonada

mais um belíssimo filme fora do circuito blockbuster.
lemon tree propõe uma leitura poética da disputa de terras entre palestinos e israelenses e é de uma sutileza incrível. os limoeiros são apenas metáforas das coisas simples, e mais essenciais, que nos aproximam e nos individualizam. a natureza humana não reconhece rótulos culturais, ideológicos e religiosos. dos limões podemos fazer uma guerra ou uma doce limonada.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

saudade

meu coração foi morar nos estados unidos.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

minha são paulo

está decidido. quando eu ficar velha, compro um apartamento charmoso nos jardins e vou morar em são paulo. sem precisar pegar a marginal para ir trabalhar, restrinjo minha vida ao quadrilátero formado entre a paulista, a estados unidos, a rebouças e a brigadeiro luís antônio. ali, deslocando-me sempre a pé, farei como as mulheres maduras que observei desta vez: resolverei minhas coisas práticas; verei todos os filmes de arte em cartaz na reserva cultural, no conjunto nacional e no espaço unibanco da augusta; tomarei cafezinhos solitários na starbucks da alameda santos, no havanna da bela cintra, no frans café da haddock lobo ou na ofner da campinas; gastarei largas fatias de minha merecida aposentadoria na livraria cultura e na fnac; almoçarei nos finais de semanas com meus poucos amigos no viena ou comerei com eles uma pizza na veridiana da josé maria lisboa nas noites de quinta-feira. visitarei com freqüência o masp, para conferir as exposições temporárias ou ficar alguns minutos diante do rosa e azul de renoir na galeria permanente, lembrando com saudades de minha infância na oliveira viana, onde tínhamos uma réplica na parede. irei regularmente ao teatro, especialmente aos dramas e às comédias, porque ainda serei uma mulher de extremos. e ainda me encantarei com o trianon - aquele monte de verde rodeado de cinza por todos os lados, inclusive o de cima.
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foto: vista terraço itália

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

sampa

amanhã tô lá. justo quando eu já quase sufocava aqui.
volto domingo, mas é tempo suficiente para pegar fôlego até o final do ano.
não vejo a hora de ir para longe. bem longe.

sábado, 16 de agosto de 2008

insensatez

ah, insensatez que você fez
coração mais sem cuidado
fez chorar de dor o seu amor
um amor tão delicado
ah, por que você foi fraco assim
assim tão desalmado?...
[vinícius de moraes e tom jobim]
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porque a mônica salmaso cantando insensatez é o que há
e desta vez me tocou profundamente.
e porque (re)assistir quem pagará o enterro e as flores se eu morrer de amores? esparramada no sofá da sala, tomando um cabernet sauvignon chileno numa taça apropriada,
pode ser o melhor programa de feriado ever.
um brinde ao delicado da vida!

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

ní hao!

esta biroska foi recentemente linkada num blog bem interessante chamado crônicas urbanas. e eis que numa breve passagem por lá me deparei com um texto - pra lá de oportuno - de luís fernando veríssimo, intitulado pense na china, que transcrevo abaixo.
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Sugestão para um dia em que você não tiver nada com o que se preocupar e estiver até convencido que o mundo pode melhorar, deve melhorar, tem que melhorar. Finja que é agora. Simule otimismo. Imite alguém acreditando no futuro com toda a força. Faça cara de quem não tem dúvidas de que tudo vai dar certo. Convença-se de que tudo vai dar certo. Pronto? Agora pense na China.
Desanimou, certo? É impossível pensar na China e continuar, mesmo em fingimento, despreocupado. Dentro de muito pouco tempo vai acontecer o seguinte: a China vai tornar o resto do mundo supérfluo. Não vai ser preciso existir mais ninguém, de tanto que vai existir a China. O nosso destino é, enquanto a China cresce, irmos ficando cada vez mais desnecessários. Em, o quê? Vinte anos? A China terá o maior parque industrial, com a mão-de-obra mais abundante e portanto mais barata, da Terra, e produzirá de tudo para o maior mercado consumidor da Terra que será qual? O dos chineses, mesmo ganhando pouco. A China concentrará toda a atividade econômica do planeta entre as suas fronteiras. A China se bastará.
Mas não pense que vamos ficar assistindo ao espetáculo da auto-suficiência chinesa da cerca, esperando alguma sobra. Antes de se tornar definitivamente autocapaz a China terá que garantir as fontes da sua energia. O seu inevitável choque com aquele outro sorvedouro de combustível fóssil, os Estados Unidos, pelas últimas reservas de petróleo do mundo pode literalmente nos arrasar. Sugestão para a reflexão antes de dormir esta noite, se você conseguir dormir: o petróleo do Oriente Médio escasseando, dois monstros sedentos cuja sobrevivência depende do petróleo se enfrentando — e nós no meio. Ganhará o confronto final, nuclear ou não, quem tiver mais gente. A China tem muito mais gente do que os Estados Unidos.
Enquanto isto, a Índia… Mas chega. Reanime-se. A vida é boa, há borboletas, os pêssegos estão ótimos e a Copa vem aí. Eu, na verdade, não tenho com o que me preocupar mesmo. Estou a caminho da fase pré-fóssil e não estarei aqui quando tudo isto acontecer. Mas só queria avisar.
[Luís Fernando Veríssimo]
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bem de acordo com as minhas predições niilistas sobre o futuro da humanidade... o que eu penso quando penso na china? que a abertura dos jogos olímpicos de beijing foi uma excelente e perspicaz oportunidade de apresentar (ou relembrar) ao mundo a magnitude e grandiosidade chinesa. lindo demais, original demais, e um tanto amedrontador.